"QUANDO O MUNDO SE TORNAR CONFUSO, ME CONCENTRAREI EM FOTOGRAFIAS, QUANDO AS IMAGENS SE TORNAREM INADEQUADAS, ME CONTENTAREI COM O SILÊNCIO." [Ansel Adams / 1902-1984]

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23 outubro 2011

SUICÍDIO ASSISTIDO (ou Eutanásia) - Filme

Independentemente de posicionamentos pró ou contra a polêmica temática do suicídio assistido (ou Eutanásia) vale a pena ver/refletir este filme, com ótimas interpretações.

"VOCÊ NÃO CONHECE JACK” é uma produção da HBO para a TV, que chegou ao Brasil em DVD no início de junho de 2010.
O filme conta a história de Jack Kevorkian, médico que ficou conhecido como Dr. Morte por defender a eutanásia e ajudar mais de 130 pacientes a cometer suicídio. O personagem é interpretado por Al Pacino, em um papel que lhe rendeu o Emmy e o Globo de Ouro de Melhor Ator.

"Você não Conhece Jack" tem ainda em seu elenco os atores Susan Sarandon e John Goodman.

Jack Kevorkian sempre defendeu que o ser humano tem o direito de morrer com dignidade, escolhendo a forma como deseja encerrar a vida diante de doenças terminais. Apoiado pelo amigo Neal Nicol e por sua irmã Margo Janus, ele passa a prestar uma consultoria de morte. Desta forma, Jack ajudou em mais de uma centena de suicídios assistidos, o que lhe rendeu o apelido de Dr. Morte.
Em seu trabalho ele ganha o apoio de Janet Good, a presidente do Hemlock Society e a ira dos promotores locais, que abrem um processo contra Jack. O responsável por defendê-lo na corte é Geoffrey Fieger, que precisa lidar não apenas com o processo em si, mas também com a cobertura da mídia ao julgamento.

Kevorkian foi denunciado por homicídio qualificado e em seu julgamento dispensou o advogado que o havia defendido nos casos anteriores e insistiu em se defender pessoalmente. Foi condenado pelo júri por homicídio simples a 25 anos de prisão, mas com direito a liberdade condicional a partir de 2007, por causa de sua idade avançada. Ficou preso efetivamente por 8 anos. Kevorkian admitiu ter ajudado mais de 130 pessoas a se suicidar, mas insistiu em afirmar que não havia matado ninguém diretamente.

**A história de Kevorkian foi contada inicialmente num documentário cinematográfico de 2005, com direção da vencedora do Oscar, Bárbara Kopple.

***O Dr. Kevorkian morreu em 3 de junho de 2011, aos 83 anos. Chegou a auxiliar nas filmagens do filme – e está nos extras do DVD.

14 agosto 2011

O PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM


  • O Planeta dos Macacos (1968)
  • De Volta ao Planeta dos Macacos (1970)
  • Fuga do Planeta dos Macacos (1971)
  • A Conquista do Planeta dos Macacos (1972)
  • A Batalha do Planeta dos Macacos (1973)

RISE OF THE APES (Planeta dos Macacos: A Origem) é um prelúdio para todos os longas que vieram antes e que foram lançados a partir do final dos anos 60. A saga é um dos grandes clássicos do cinema e fez muito sucesso, gerando até desenho animado, brinquedos e outros produtos. 

Em 2001, houve um fraco/ruim/vazio “remake” feito por Tim Burton, com o mesmo nome do primeiro – O Planeta dos Macacos.

No elenco estão James Franco (de 127 Horas), John Lithgow, Freida Pinto, Andy Serkis, Tom Felton, entre outros. A direção é de Rupert Wyatt. O roteiro é de Amanda Silver e Rick Jaffa.
A história mostra César, um dos macacos testados em laboratório nos trabalhos para a cura do Mal de Alzheimer. Ele acaba ficando superinteligente e vira alvo de cientistas mal intencionados. 

Estreia em 26 de agosto aqui no Brasil. E já em sucesso de bilheteria nos Estados Unidos.



30 julho 2011

O DISCURSO, DE CANTINFLAS



 CONFIRA AQUI O DISCURSO, EM PPS
.
Este discurso é trecho do “filme Sua Excelência”, dirigido por Miguel M. Delgado, de 1967, em que o inesquecível Cantinflas, ou Fortino Mario Alfonso Moreno Reyes, comediante mexicano, pronuncia na Assembleia da ONU no papel de Embaixador de um país fictício. Contém uma lição bem atual, ou atemporal, apesar de ter sido pronunciado há mais de 40 anos. Este memorável discurso critica políticos/líderes mundiais e exorta-os a alcançar a paz e a liberdade.
Em suas interpretações denunciou a desigualdade social e falta de solidariedade, tendo na vida real realizado muitas obras de caridade e até montado um escritório para os necessitados. Por muitos considerado o sucessor de Charles Chaplin!
Nasceu em uma família muito humilde e tinha 12 irmãos. Teve uma adolescência marcada pela pobreza o que o levou a começar a trabalhar muito cedo, primeiro como engraxate e depois como aprendiz de toureiro, motorista de táxi e pugilista. A sua vida mudou quando aos vinte anos, trabalhando como empregado em um teatro popular teve a oportunidade de substituir o apresentador do espetáculo que adoeceu. Ao inverter frases, trocar palavras e abusar do improviso, Cantinflas, conquistou o público hispânico.
A última etapa de sua vida, depois de ficar viúvo em 1966, foi marcada pela participação na vida social e política. Faleceu em 1993, com 81 anos.
Resumidamente: um cara sensível, inteligente, culto, humanitário, que muito bem transmitiu seu recado - em forma de ótimo humor cinematográfico.

11 julho 2011

A ORIGEM

Nosso mundo seria apenas um sonho, uma ilusão, um reflexo de Maya???
Esta uma ideia sempre latente em “muitas cabecitas”: filosóficas, psicológicas, espiritualistas e também de cineastas, como já bem demonstrado em MATRIX. Em Matrix posicionava-se a noção de "maia", o mundo de ilusão do qual temos que nos libertar para chegar à verdade, pela transcendência espiritual. Já A ORIGEM baseia-se em caminho que poderia conduzir à psicose.
Teríamos aí apenas manifestar de “delírios mentecaptos/ficções” ou algo com certo sentido de ser pensado-analisado???

Para YUNG, extrapolando a mera concepção biológica do sonho, aquela que dá acesso ao inconsciente pessoal (o inconsciente freudiano), “há um inconsciente que não se limita aos restos diurnos, um inconsciente que em sua forma mais ampla é o gerador da ‘realidade’, da consciência”.
Para quem vislumbra uma capacitação humana de transcendência de si próprio, o propósito maior de aprofundar-se em si mesmo, é encontrar lá o "self"; que segundo Jung é o nosso centro mais profundo e que por isso mesmo nos faz transcender toda a realidade limitada que a estreita visão materialista nos impõe.
Neste visualizar-analisar, os sonhos poderiam então cumprir uma função transcendente, mostrando que há a nossa volta uma realidade maior que nós mesmos, que nos liga a tudo e a todos.
Um conceito importante no filme é o de que uma ideia é o vírus mais resiliente que existe. Essa afirmação tem um paralelo interessante com a teoria dos memes, proposta inicialmente por Richard Dawkins (1976) em seu livro O Gene Egoísta, e posteriormente explorada por Daniel Dennett, Susan Blackmore, Robert Aunger e outros pesquisadores na área da psicologia evolucionista.
As ideias principais do filme também podem ser pensadas a partir da pesquisa em cognição social e do paradigma experimental de priming.
E indo além das muitíssimas considerações/interpretações psicanalíticas geradas por este filme, há que se considerar também que o sonho no qual os personagens mergulham não é um sonho "comum", é um sonho "arquitetado". Não é portanto uma manifestação dos desejos inconscientes (freudianos), mas sim um sonho Projetado para que a vítima ao ali entrar "projete" certos pensamentos que venham a completar esse sonho pré-moldado. Isto altera todo o enfoque interpretativo.

Em resumo, um filme interessante para quem forma sinapses cerebrais um pouquinho mais complexas que as necessárias para a sobrevivência, para o labor e convívios cotidianos. Muitos também consideraram este um filme “bobinho”, “muito complexo-confuso”, “intelectualóide”, “antipsicanalítico”, “de ficção idiota”. Tudo bem!!!  Assista e faça teu julgamento!

11 maio 2011

A VIDA DE DAVID GALE


O filme mostra até onde certas pessoas vão para provar que estão certas quanto a seu ponto de vista. Tem um final surpreendente, emocionante e principalmente muito inteligente.
Aborda um tema polêmico, “a lei da pena de morte”. Até que ponto o estado tem o direito de interferir no curso normal da vida? Será que uma morte ameniza ou justifica outra? E se o sistema errar, matando assim um inocente – quem responde por isto?

Sinopse:
    David Gale (Kevin Spacey) é um brilhante professor de filosofia que está no corredor da morte, aguardando sua execução. Acusado de estuprar e assassinar uma ex-aluna, David chama a repórter Bitsey Bloom (Kate Winslet), para ouvir sua versão sobre o caso. Uma história inacreditável, envolvendo alcoolismo, a melhor amiga (Laura Linney), que está morrendo de leucemia, um advogado incompetente e um governador que adoraria vê-lo morto.
A repórter Bitsey Bloom (Kate Winslet) conseguiu três sessões de entrevistas com o professor David Gale (Kevin Spacey), que está no corredor da morte por ter estuprado e assassinado uma colega, Constance (Laura Linney). A condenação do professor, que deve ser executado em uma semana, esconde dentro dela uma ironia: Gale é um ativista anti-pena de morte, e Constance também tinha a mesma militância.
Nas entrevistas, Gale conta sua vida a Bitsey: seu casamento fracassado, os problemas com a bebida e o relacionamento com o filho. Ele também diz que não matou Constance; o julgamento foi armado pelos defensores da pena de morte, que gostariam de mostrar a incoerência daqueles que a condenam. Bitsey se convence da inocência de Gale, e começa a investigar, com a ajuda de um estagiário da revista onde trabalha. Mas o tempo corre contra eles, já que a execução do professor está próxima.
A história de A Vida de David Gale é ambientada no Texas - uma escolha um tanto óbvia, já que este é o estado norte-americano onde mais pessoas são executadas. Apesar de muita gente envolvida na produção ser contra a pena de morte, o filme não chega a ter uma plataforma, mas é um suspense sobre a possibilidade de manipulação da justiça.

FICHA TÉCNICA:

Título Original: The Life of David Gale

Gênero: Drama

Tempo de Duração: 130 minutos

Ano de Lançamento (EUA): 2003

Site Oficial: www.thelifeofdavidgale.com

Direção: Alan Parker

Argumento/escritor: Charles Randolph

Produção: Nicolas Cage, Alan Parker e Nigel Sinclair

Música: Alex Parker e Jake Parker

Fotografia: Michael Seresin

Direção de Arte: Steve Arnold e Jennifer Williams

Guarda-Roupa: Renee Ehrlich Kalfus

28 fevereiro 2011

COMIDAS, ANOREXIA & RELIGIÃO


Existe certo preconceito quando o assunto é cinema mexicano, na maioria das vezes. Mas eles também fazem bons filmes atualmente, como este MALOS HABITOS do Diretor Simon Bross – que aborda detalhadamente a temática da anorexia. Um filme diferente-interessante que aborda este problema muito presente hodiernamente, especialmente na vida das mulheres.
Elena é uma mulher magra, perfeccionista e frustrada por não conseguir convencer a filha rechonchuda a fazer dieta. "Ninguém gosta de gordos", diz à menina, sem saber que o marido está interessado mesmo é na aluna que esbanja curvas e come sem culpa. Outra personagem, Matilde, é uma freira que se recusa a comer por acreditar que o sacrifício é capaz de salvar a cidade de uma enchente.
"Maus Hábitos" traz à tona a hipótese, que já foi tema de estudo, de que muitas das santas da Idade Média sofriam de anorexia. A crença era de que, quanto maior a força para manter um jejum autoimposto, mais a fé seria acreditada e mais próxima de Deus estaria a religiosa. Alguns especialistas sugerem, inclusive, que a desnutrição seria a causa das alucinações visuais e auditivas narradas por essas mulheres.
O diretor oferece paralelos interessantes entre a alimentação e a religião. A gula da filha, afinal, é um pecado capital. Assim com a soberba, que motiva a mãe. Mas qual seria então o pecado da freira, que através da privação tenta salvar a cidade de uma catástrofe que ela sente ser iminente? Bross rodeia a questão com elegância. Seriam mesmo condenáveis esses pecados? Ou o pecado depende apenas do uso que se faz dele?
Apesar de o contexto ser diferente, as anoréxicas de hoje também estão presas a um tipo de crença: a de que ser magra é sinônimo de sucesso.
O longa foi rodado entre setembro e outubro de 2005, na Cidade do México, e participou de festivais internacionais nas Américas do Norte e Latina.

Diretor: Simón Bross
Elenco: Ximena Ayala, Elena de Haro, Marco Antonio Treviño
Nome Original: Malos Habitos
País: México
Duração: 103 minutos
Gênero: Drama

Premiações:
- Melhor Filme de Estreia, no Festival de Montreal.
- Melhor Filme de Estreia, no Festival de Bogotá.
- 2 prêmios no Festival de Guadalajara, nas categorias de Melhor Filme e de Melhor Filme Mexicano.
- Melhor filme de Estreia no Los Angeles Latino International Film Festival
- AFI Dallas International Film Festival, menção honrosa
- CineVegas International Film , vencedor do Prêmio do Júri: The Next Wave

11 janeiro 2011

Um filme "imperdível": O SEGREDO DOS SEUS OLHOS


FICHA TÉCNICA:
O SEGREDO DOS SEUS OLHOS [EL SECRETO DE SUS OJOS]
Argentina/Espanha - 2009
Duração – 127 minutos
Direção – Juan José Campanella
Roteiro – Juan José Campanella com base no livro La Pregunta de Sus Ojos, de Eduardo Sacheri
Produção – Juan José Campanella, Gerado Herrero, Mariela Besuievski., Vanessa Ragoni
Fotografia – Félix Monti
Trilha Sonora – Federico Jusid e Emilio Kauderer
Edição – Juan José Campanella
Elenco – Ricardo Darín (Benjamin Espósito), Soledad Villamil (Irene Menéndez Hastings), Guillermo Francella (Sandoval), Javier Godino (Isidoro Gómez), Carla Quevedo (Liliana Coloto), Pablo Rago (Ricardo Morales).

PREMIAÇÕES PRINCIPAIS (entre outras):
Foi o segundo filme argentino a conquistar o "Oscar de Melhor Filme Estrangeiro" (em 2010), 25 anos depois do feito de “A História Oficial”, de Luis Puenzo.

Ganhou ainda o prêmio Goya de Melhor Filme Estrangeiro em Espanhol e Melhor Revelação Feminina para Soledad Villamil. 
No Festival de Havana, ganhou: Prêmio Especial do Júri, Melhor Filme - Voto Popular, Melhor Diretor - Juan José Campanella, Melhor Ator - Ricardo Darín e Melhor Trilha Sonora.

ANÁLISE CRÍTICA:
Depois de passar uma temporada dirigindo episódios de séries famosas nos EUA (como “House” e “Lei e Ordem”), o diretor Juan José Campanella voltou à Argentina para produzir mais um excelente filme chamado “O Segredo de Seus Olhos”.
Novamente trabalhando com seu ator preferido, Ricardo Darín, Campanella adapta um romance de Eduardo Sacheri (La Pregunta de Sus Ojos) com sua habitual maestria, juntando no mesmo filme diversos tipos de gêneros do cinema, tais como suspense, drama, romance, policial, comédia, denúncia política (uma parte do filme se passa durante a ditadura militar argentina) e até uma pitada de film noir.

Darin interpreta com sua naturalidade e competência de sempre Benjamín Espósito, um funcionário público de Juizado Penal, recém-aposentado, que resolve escrever um livro tendo como premissa um caso escabroso que investigou no passado e que trouxe consequências trágicas para todos os envolvidos. Mas não é só isso. Em seu livro Espósito quer também expiar seu remorso por não ter tido coragem de lutar pelo amor de sua vida, interpretada por Soledad Villamil, que era sua supervisora no Fórum. Outro personagem importante é o parceiro de Espósito, Pablo Sandoval, na pele de Guillermo Francella, que serve como alívio cômico à trama. Por meio de flashbacks muito bem elaborados, vamos sendo apresentados ao crime e aos desdobramentos que ele provoca na vida dos envolvidos. É digna de nota a firmeza com que Campanella conduz a trama, sempre de forma inusitada e buscando o aprofundamento psicológico dos protagonistas à medida que eles vão sendo afetados pelos desenlaces do caso investigado.

O filme busca também fazer um estudo do que leva uma pessoa a ficar obcecada, em contraste com o vazio existencial enfrentado por Espósito e o que ambos sentimentos geram de consequências.
André Lux

Este não é um filme apenas sobre um crime: é sobre um homem que nunca soube lidar com as pessoas que a vida lhe ofereceu, passou a vida perguntando-se “como se faz para viver uma vida vazia, cheia de nada” e só entregou-se à ela no final.
[Fred Burle]

Existem filmes feitos para dar um “soco no estômago” do espectador. O Segredo dos Seus Olhos dá uma pancada no coração, com uma história instigante, um elenco excepcional, um roteiro espetacular e uma direção de fotografia que dá uma aula de decupagem e movimentação de câmera.
[Fred Burle]

“O Segredo dos Seus Olhos” é o tipo de filme que oferece um pacote de reflexões para o espectador consumir depois da sessão. Pode-se ler o filme sob variados ângulos: amizades, paixões, amores, medos, vazio, tempo, velhice, frustrações. Além da leitura política-jurídica.

**Lançado em 2009, El Secreto de Tus Ojos atingiu a marca de 1 milhão de telespectadores na Argentina após um mês de estreia.

P.S.: A "bela SOLEDAD" aí do filme também é boa cantora, com estes 2 CDs lançados.



15 dezembro 2010

DEPOIS DE PARTIR (um filmezito diferente, para curtição de cinéfilos)


Romain Duris é Nathan um francês que se tornou um rico e petulante advogado e que, por sua cobiça se divorciou da mulher e filha, tendo uma relação muito distante com elas. Num dado dia ele recebe a visita de um misterioso médico, o Dr. Kay (John Malkovich). Ele chega e traz a mensagem de que pode ver quem está prestes a morrer. Se pra bom entendedor meia palavra basta, Nathan a princípio incrédulo, começa a ceder e perceber que sua vida está por um fio.

Um dos grandes méritos dessa produção é saber transitar com uma naturalidade fantástica entre o drama e o suspense. Ao mesmo tempo em que o público fica emocionado com o turbilhão de emoções que os personagens atravessam, também fica o frio na espinha de se ou quando Nathan vai partir dessa pra melhor ou ainda se há mais pessoas que podem morrer ao atravessar seu caminho. As escolhas do protagonista e a dúvida entre se reaproximar da família para alcançar a paz interior ou de combater essa previsão impensável se tornam o grande fio da narrativa.

As subtramas envolvendo as dores dos coadjuvantes e o próprio mistério em torno de Kay faz todo sentido a medida que o filme caminha para seu terceiro e derradeiro ato que conta com uma reviravolta que mesmo previsível aos mais atentos, não deixa de ter um profundo impacto na percepção emocional do espectador.

Por mais esforços que o roteiro e os atores engendrem para um resultado tão belo, nada disso seria possível sem a brilhante trilha sonora do premiado Alexandre Desplat de “O Curioso Caso de Benjamin Button” que mescla gêneros e sentimentos com primazia e a fotografia dos irmãos Bing que dominam o uso da luz correta para cada ambiente. 

Num final tão subjetivo quanto tocante, “Afterwards” é, sem dúvida, um filme diferenciado onde os apreciadores do verdadeiro cinema vão aproveitar cada minuto.

FONTE: http://www.cinecriticas.com.br/?p=2280
           [Aldo Alves]

Ficha Técnica:
Depois de Partir (”Afterwards” - "Et Après") Canadá / Alemanha / França, 2008

Elenco:
John Malkovich
Evangeline Lilly
Romain Duris
Pascale Bussières
Reece Daniel Thompson
Sara Waisglass

Direção: Gilles Bourdos

Produção: Olivier Delbosc, Christian Larouche e Marc Missonnier

Fotografia: Mark Lee Ping-bing e Lee Pin-bing

Trilha Sonora: Alexandre Desplat

Duração: 107 min.

14 dezembro 2010

MAR ADENTRO, "um grande filme sobre Eutanásia"










Mergulhado em pesquisas do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Direito, com tema “Eutanásia, Ortotanásia e Distanásia – uma nova visão”, estive vendo este “excelente filme” aqui comentado.
MAR ADENTRO
Direção: Alejandro Amenábar
Espanha - 2004

Elogios ao filme MAR ADENTRO, dirigido por Alejandro Amenábar, não são exagerados. A obra recebeu 14 prêmios Goya, dois prêmios no European Film Awards, um Grande Prêmio do Júri e um Volpi Cup de melhor ator para Javier Bardem, que interpreta o protagonista. E a lista de premiações não acaba aí, recebeu um Oscar, um Globo de Ouro e um Independet Spirit Award, todos os três na categoria de melhor filme estrangeiro.
A história deste filme convida o espectador a uma longa reflexão. Amenábar poderia ter descambado para o dramalhão sentimental, mas conseguiu realizar um filme surpreendentemente tocante sobre um tema polêmico. Um filme triste e muito bonito.
Mar Adentro conta a história verídica de Ramón Sampedro (interpretado magnificamente por Javier Bardem),um espanhol que ficou tetraplégico após um mergulho aos 25 anos, e viveu 29 anos após o acidente sendo cuidado por seus familiares e lutando pelo direito de “morrer dignamente”, como ele mesmo dizia. Seu caso foi levado aos tribunais em 1993 para conseguir a legalidade da eutanásia, mas o pedido foi negado. Na “carta de Sampedro” destinada aos juízes, em 13 de novembro de 1996, desdobra-se uma idéia que aparece repetidas vezes no filme: “viver é um direito, não uma obrigação”. Assim, Ramón coloca em cheque a regulação da vida e da morte pelo Estado e pela Igreja e acusa “a hipocrisia do Estado laico diante da moral religiosa”.
O debate com a igreja sobre eutanásia aparece no filme na figura de um padre, também tetraplégico, que resolve visitar Sampedro. Como a escada para o segundo andar, aonde se encontra o protagonista, é muito estreita, e não permite que passe a cadeira de rodas do padre, os dois comunicam-se via um seminarista, que corre de um lado a outro dando recados com uma expressão tensa, ansiosa e confusa, como se estivesse prestes a submergir numa profunda crise existencial e religiosa. Até que o padre e Sampedro passam a conversar aos berros e sem mediação, de um lado falando-se da importância de manter a vida, de outro, denunciando-se que a Igreja Católica não tem moral para falar de respeito à vida depois da Inquisição.
O personagem de oposição direta ao padre é a advogada Julia, que quer cuidar do caso de Sampedro. Se por um lado o padre, pelo seu estado físico e representando a Igreja, parece ter legitimidade para tentar dissuadir o protagonista da idéia de eutanásia, a advogada Júlia, portadora de uma doença degenerativa hereditária (Cadasil), que se caracteriza por acidentes vasculares recorrentes que conduzem à invalidez e demência, procura trazer a discussão e a legitimação do caso para o plano racional, individual e não dogmático. Ao mesmo tempo, Júlia também é o canal entre o espectador e as poesias, as viagens e toda a vida de Sampedro antes do acidente. Juntos escrevem um livro, partilham um cigarro, trocam um beijo, afeto, impossibilidades, desejos, frustrações e a morte como finalidade.
É nesses percursos que Mar Adentro consegue trazer à tona os vários nós da questão. Momentos tensos, de debate, momentos de ternura e da impossibilidade do contato físico, a dor da família de Sampedro, mas também a do protagonista. Quando em 1998, Ramón consegue encontrar, na figura da personagem Rosa, “alguém que realmente o ame e o ajude a morrer”, ele deixa um testamento concluindo o argumento da vida como obrigação, e aliando a ela um debate que sinaliza as tensões e as questões de poder que permeiam a vida e a morte: “Srs. jueces, negar la propiedad privada de nuestro propio ser es la más grande de las mentiras culturales. Para una cultura que sacraliza la propiedad privada de las cosas – entre ellas la tierra y el agua – es una aberración negar la propiedad más privada de todas, nuestra Patria y Reino personal. Nuestro cuerpo, vida y conciencia. Nuestro Universo".
A questão da eutanásia destacou-se não apenas pelo sucesso de Mar Adentro e do filme norte-americano Menina de Ouro (que trata do mesmo tema), mas também porque, enquanto os dois concorriam ao Oscar, se desenrolava o caso da norte-americana Terri Schiavo, que morreu após decisão judicial para que fosse suspensa a alimentação artificial que a mantinha viva há 15 anos. A ampla discussão que se deu desde então deixou claro que, com exceção de países como Holanda e Bélgica, que aprovaram leis de eutanásia, esta é praticada de forma ilegal, mas recorrente, em vários hospitais do mundo. No auge da repercussão do caso levou o já convalescente papa João Paulo II, que sofria de uma doença degenerativa incurável, a divulgar uma comunicação para mobilizar a opinião pública contra a eutanásia.
No início de 2005, Ramona Maniero confessou ter ajudado Sampedro a tomar cianureto para morrer, com ajuda de 12 pessoas de uma associação pró-eutanásia (Associação Direito a Morrer Dignamente (DMD), de Barcelona). Ramona admitiu ante as câmeras do canal Telecinco que havia sido a última da cadeia.   A confissão veio depois de sete anos do ocorrido, quando o delito já estava prescrito e ela não poderia mais ser julgada. Ramona era considerada a principal suspeita da morte de Sampedro e chegou a ser presa, mas foi solta por falta de provas. Ramon Sampedro morreu em 12 de janeiro de 1998.

Difícil dizer se ele estava certo, pois não dá para imaginar, de nenhuma forma, o que é passar 28 anos preso a uma cama, sem poder se mexer, completamente dependente de outras pessoas, e tendo a cabeça totalmente lúcida. Porém, se do lado de Rámon estava um homem que se julgava condenado a viver todos os seus dias deitado em uma cama, do outro fica a família que o ama, os amigos que o admiram, pessoas que não desejam que ele "parta" para outra vida, e que sofrem horrores com sua escolha.
Mais do que uma defesa à eutanásia, porém, Mar Adentro se apega no direito que cada pessoa tem de ser livre, e fazer o que quiser com sua própria vida, para demonstrar que Sampedro se apoiava no pensamento de que viver era um direito, não uma obrigação. E ele queria renegar esse direito, devido às suas condições.

              [compilação de textos de Marta Kanashiro e Marcelo Costa]


Ramón escreveu este livro aqui abaixo, “Cartas Desde El Infierno” e também outro: “Cuando Yo Caiga”.


Biografias Planeta – Editora Planeta
Cartas do Inferno, de Ramón Sampedro
Páginas: 280 páginas
Publicação: Maio 2005
Preço: R$ 39.90
  

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