"QUANDO O MUNDO SE TORNAR CONFUSO, ME CONCENTRAREI EM FOTOGRAFIAS, QUANDO AS IMAGENS SE TORNAREM INADEQUADAS, ME CONTENTAREI COM O SILÊNCIO." [Ansel Adams / 1902-1984]

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01 janeiro 2012

FELICIDADE, "uma busca obsessiva e ilusória"?

O que é a felicidade? Uma pergunta abrangente, de respostas relativas e inúmeras interpretações possíveis. O homem lançou para si esta questão ao longo dos séculos, almejando sempre uma forma de alcançar este estado de graça e absoluto contentamento. Mas como esta procura se moldou de acordo com os momentos vividos pela humanidade?

Em sua obra “A IDADE DE OURO – HISTÓRIA DA BUSCA DA FELICIDADE” (Editora Unesp, 472 páginas), o historiador GEORGES MINOIS apresenta um estudo sem precedentes, investiga, pelo viés da História, partindo desde a Antiguidade até o século XXI, a obstinada busca do ser humano pela felicidade.

Em reportagem de Larissa Roso (DONNA/ZH - 01/01/2012), Minois assim se manifesta:
Ø    Quais são os grandes ideais de felicidade hoje e o que eles revelam sobre os valores do mundo ocidental?
– Devido ao triunfo global do capitalismo liberal e ao colapso das ideologias, tudo gira em torno da noção de aproveitar ao máximo o “aqui e agora”: um bom poder de comprar em uma sociedade livre, com o mínimo possível de restrições, evitando-se qualquer reflexão sobre o sentido da vida. O que as pessoas mais desejam é conforto material e diversão. Acima de tudo, sem reflexão, porque refletir é depressivo. Todos os governos do mundo, e também o setor privado da economia, encorajam isso, guiando o mundo na direção de uma regressão cultural vergonhosa: compre, divirta-se e seja feliz. Mas, acima de tudo, não pense.

Ø    Nos acostumamos com lugares, posses, pessoas, situações. Quando isso acontece, perdemos a empolgação da novidade. Isso transforma a busca pela felicidade em uma corrida infindável?
– Sem dúvida. Isso explica por que Sócrates, de acordo com Platão, acreditava que nós jamais alcançaríamos a felicidade. A felicidade, de acordo com ele, é o que sentimos ao satisfazer nossos desejos, o que significa que ambos, desejo e satisfação, devem coexistir. Um desejo sem satisfação é doloroso, mas a satisfação mata o desejo, colocando fim à felicidade. A busca pela felicidade é a busca eterna por uma ilusão.

Ø    O que o faz feliz?
– Não acredito na felicidade. Desisti de procurá-la. E provavelmente esse seja o motivo pelo qual eu não sinta a sua falta. Não sofremos por não possuir um conhecimento universal porque sabemos que não é possível alcançá-lo. O mesmo acontece com a felicidade. Tento ser realista e lúcido, o que significa que sou pessimista, mas valorizo, acima de tudo, a busca da verdade, não da felicidade. Pessimismo é realismo, e provavelmente o melhor modo de se contentar: o pessimista nunca se desaponta porque sempre espera o pior. Diria que sou um pessimista feliz.

22 dezembro 2011

BARDO THÖDOL - O Livro Tibetano dos Mortos

O BARDO THÖDOL é uma obra que fala da concepção budista-tibetana sobre o post mortem. Ninguém sabe ao certo há quantos séculos o livro foi escrito. Não existem registros de sua origem, por tratar-se de uma tradição secreta e oral, passada de boca a ouvido ao longo do tempo. No entanto, acredita-se que o texto remonte a VIII d.C. Pela tradição tibetana, é um texto sagrado, escrito pelo monge Padma Sambhava, e encontrado 600 anos mais tarde por Karma Lingpa.

O Livro Tibetano dos Mortos foi trazido ao ocidente pelo Dr. W. Y. Evans-Wentz, que escreveu um livro no início do século XX (1927) traduzindo-o e explicando-o. JUNG, Carl Gustav  escreveu  prefácio de uma das edições do livro analisando seu conteúdo do ponto de vista psicológico. HUXLEY,        Aldous e LEARY, Timothy – também estudiosos e propagadores desta obra. KARDEC e os TEOSOFISTAS, também aí consultaram e compilaram/adaptaram alguns dados a suas codificações.

Também chamado de O Livro dos Mortos Tibetano, a expressão "Bardo Thödol" é mais apropriadamente traduzida como "A Libertação Pelo Entendimento na Vida após a Morte".

"Bardo" é uma palavra composta: BAR significa "Entre" ― DO, significa "Dois".

Lama Samdup (1868-1923), que traduziu o texto para o inglês, definiu "Bardo" como "estado incerto", referindo-se à situação intermediária da Mônada ou espírito humano entre a vida biológica, orgânica, que chegou ao fim e o período que transcorre até o próximo renascimento. Os tibetanos e budistas são, portanto, reencarnacionistas, ou seja, acreditam na reencarnação.

A "Libertação" mencionada no Bardo Thödol relaciona-se ao fim do ciclo de reencarnações produzidas pelo carma, pelos sentimentos de culpa, pelo apego à vida. É a libertação da "roda samsárica" que obriga o espírito a renascer em uma das seis categorias de mundos inferiores.

De certa forma, o Bardo Thödol é o conhecimento que permite ao espírito transcender a lei do carma, pelo entendimento do fenômeno da vida em sua TOTALIDADE CONTÍNUA. Um entendimento que permite superar a forte cadeia que prende o ser humano [em todas as suas manifestações] a uma existência de sofrimento: a cadeia formada pelo binômio DESEJO-CULPA.

Diz a sabedoria popular que "a única certeza da vida é a morte". Com efeito, todo ser humano, às vezes na mais tenra idade, fica sabendo que, inevitavelmente, em um momento qualquer do futuro "a hora chega", a morte virá. Tal como existem várias formas de viver, também existem várias formas de morrer.

A morte "natural", consequência de doenças que provocam a falência funcional do corpo físico e as mortes "provocadas", por assassinato, suicídio ou acidentes. Em qualquer desses casos morrer pode ser um acontecimento súbito (rápido, de um instante para outro) ou lento. A morte lenta envolve a experiência da agonia, processo gradual durante o qual o princípio vital vai, aos poucos, abandonando o organismo.
        
O conhecimento do Bardo Thödol é aplicável a qualquer caso, porém, no caso de morte lenta, cuja agonia pode durar horas ou dias, o livro fornece instruções que permitem ao moribundo e/ou aos circundantes reconhecer os sintomas de que se aproxima o momento do último suspiro.

São estas, em geral, as três primeiras evidências da chegada da morte”:

1ª) Sensação física de descompressão ("a terra se desfazendo em água");

2ª) Sensação de frio, com a impressão de que o corpo está imerso em água, a qual se transforma gradualmente num calor febril ("a água se desfazendo em ar");

3ª) Sensação de explosão dos átomos do corpo ("o fogo se desfazendo em ar").

Cada sintoma corresponde à determinada alteração do corpo, exterior e visível: ausência de controle dos músculos do rosto; perda de audição; perda da visão; respiração espasmódica, antes da perda final da consciência. [SAMDUP, 2003 - p 65]

15 novembro 2011

O SISO ou O RISO?

Desde os gregos, a filosofia vê o riso e a gargalhada como atos grosseiros. Um novo livro – DO QUE RIEM AS PESSOAS INTELIGENTES? (Editora Record) - afirma que os pensadores não deveriam se levar tão a sério.
Para Platão, o riso era atitude de pessoas ignorantes e avessas ao aprendizado. Já Demócrito, achava que o riso era saudável para mente e corpo. Kant entendia o riso como fundamental para aplacar as paixões e regular os órgãos vitais. Aristóteles considerava o riso como apaziguador, uma válvula de escape para as paixões.

MANFRED GEIER, filólogo e pensador alemão, divide nesta obra as visões atuais do riso em três vertentes:
1.  Tradicional: afirma que o riso é a expressão dos sentimentos de superioridade de quem ri sobre as outras pessoas. Poderia ser chamada de esnobismo. 

2.  Teoria da incongruência (a mais popular): refere que o mundo está tão cheio de contradições e absurdos que há sempre um motivo para dar risadas. 

3.  Teoria do alívio (de Herbert Spencer): a risada teria poder terapêutico.


Para Geier, “o riso é a válvula de escape dos excessos de energia nervosa; ele alivia a tensão nervosa”.
“Quando você lê sobre o que fez os filósofos rir, aprende sobre as contradições e ambiguidades da vida”, afirma Geier.
“Essas mudanças de estado psicológico provocam risadas e bem-estar, aos acadêmicos e às pessoas comuns.”

22 março 2011

ALFABETO EMOCIONAL

O Dr. Juan Hitzig é especialista em Medicina do Envelhecimento e Prevenção Gerontológica. É professor de biogerontologia da Universidad Maimónides na Argentina, membro da Academy of Antiaging Medicine e Consultor da Fundación Convivir na área de gerontologia.
Nos últimos anos o ser humano está vivendo um pouco mais. Como fazer para que esta longevidade não seja um acúmulo de doenças e enfermidades? Em realidade é possível ter uma vida plena de experiências e de desenvolvimento pessoal.
As ideias centrais de seu livro se baseiam em investigações que demonstram que ao redor dos 50 anos de idade há um ponto de inflexão biológica que define como vamos envelhecer. Transmitindo experiências e observações que tem feito ao longo de sua carreira, o autor dá sugestões e conclusões que ajudam os leitores a conquistar uma longevidade saudável.
Tomando em conta aspectos biológicos, sociológicos, psicológicos e inclusive espirituais, apresenta uma maneira de encarar os próximos anos de tal forma que o envelhecimento é retardado e a segunda metade de suas vidas é renovada com inteligência.
Ele estudou as características de alguns povos que alcançaram níveis saudáveis de longevidade e concluiu que além das características biológicas, havia um denominador comum entre todos eles, e este fator está relacionado com suas condutas e atitudes.
“Cada pensamento gera uma emoção e cada emoção mobiliza um circuito hormonal que terá impacto nos trilhões de células que formam um organismo." Ele explica:
As condutas “S”: serenidade, silêncio, sabedoria, sabor, sexo, sono, sorriso, promovem a secreção de Serotonina.
As condutas “R”: ressentimento, raiva, rancor, repressão, resistências, facilitam a secreção de Cortisol, um hormônio corrosivo para as células, que acelera o envelhecimento.
As condutas “S” geram atitudes “A”: ânimo, amor, apreço, amizade, aproximação.
As condutas “R” pelo contrário geram atitudes “D”: depressão, desânimo, desespero, desolação.
Aprendendo este ALFABETO EMOCIONAL, lograremos viver mais tempo e melhor, porque o “sangue ruim” (muito cortisol e pouca serotonina) deteriora a saúde, oportuniza as doenças e acelera o envelhecimento. O bom humor, pelo contrário, é a chave para a longevidade saudável.

NA PRÁTICA, NÃO QUERENDO CONTRADIZER A VÁLIDA PESQUISA/TRABALHO DO ILUSTRE DOUTOR GERONTÓLOGO, OPORTUNO SE DIZER QUE TEM MUITO VÉINHO RUIM/MAU/RANCOROSO AÍ VIVENTE LONGEVAMENTE E COM REGULAR SAÚDE. E MUITA GENTE BOA/ALEGRE/FELIZ QUE PARTE BEM CEDO AQUI DESTE PLANO, MUITAS VEZES COM SOFRIMENTOS ATROZES.
HÁ OUTROS FATORES, NÃO RECONHECIDOS/REFERIDOS PELA CIÊNCIA QUE AÍ TAMBÉM INTERFEREM.
Ciro Röpke

20 março 2011

MODERNIDADE LÍQUIDA, de Bauman


A modernidade imediata é 'leve', 'líquida', 'fluida' e infinitamente mais dinâmica que a modernidade 'sólida' que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. Zygmunt Bauman cumpre sua missão de sociólogo, esclarecendo como se deu essa transição e nos auxiliando a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta. 

Este livro complementa e conclui a análise realizada pelo autor em 'Globalização - as consequências humanas' e 'Em Busca da Política'. Juntos, esses três volumes formam uma análise das condições cambiantes da vida social e política.

Em “Modernidade Líquida”, Bauman afirma que, há cerca de cinquenta anos, as previsões populares sobre o futuro travavam-se pelo confronto da visão de Aldous Huxley, em “Admirável Mundo Novo” e a de George Orwell, no livro “1984”. O primeiro escritor retratou, em 1931, um cenário do século VII d.F. (depois de Ford), habitado por uma sociedade completamente organizada e feliz, vivendo na opulência, devassidão e saciedade. George Orwell, por sua vez, apresentou, em 1949, a ideia de uma sociedade futurista, tomada pela miséria e pela escassez, e dominada por um governo totalitário.
Completamente antagônicas, as duas visões estavam de acordo num ponto: no pressentimento de uma civilização estritamente controlada. A de Huxley, mediante doses regulares de felicidade quimicamente transmitida pelo “Soma” (a droga do futuro) e pelas ideologias propagadas em cursos noturnos, ministrados durante o sono; a de Orwell, pelo Grande Irmão (Big Brother). Isto porque, a exemplo de Platão e Aristóteles, incapazes de imaginar uma sociedade sem escravos, Huxley e Orwell não podiam concebê-la sem uma oligarquia de poder que estabelecesse parâmetros, rotinas e ordens a serem seguidas pelo resto da humanidade.
Analisando essa sociedade de controle, o filósofo francês Gilles Deleuze , prognosticou a relação entre a identidade pessoal e um código intransferível (cifra). Os indivíduos, segundo Deleuze, sofreriam uma espécie de divisão resultante do estado de sua senha, ora aceita, ora recusada. As massas, por sua vez, tornar-se-iam simples amostras, dados, mercados que precisam ser rastreados, cartografados e analisados.
O que poderia ser considerado como uma ideia visionária de Deleuze, ou como mera ficção científica de Huxley e Orwell, é hoje uma realidade. O controle importa no estabelecimento de valores pela elite dominante, diz Bauman.

A “época em que vivemos” é apontada pela maioria dos autores nacionais e internacionais, como a era das incertezas, das fragmentações, das desconstruções, da busca de valores, do vazio, do niilismo, do imediatismo, do hedonismo, da substituição da ética pela estética, do narcisismo e do consumo de sensações. Nesse contexto, os indivíduos tendem a sentirem-se confusos diante da velocidade com que o seu mundo se modifica, tornando nebulosa sua própria inserção nesse mundo. Em tempos dominados pela mídia e em constante mutação, as possibilidades parecem infinitas, mas acarretam a angustiosa sensação de insegurança e de incerteza do inacabado.
Consumir representa então o elixir contra a incerteza aguda e enervante sobre o porvir e o sentimento de incômoda insegurança. Propagou-se um comportamento geral de comprar, não apenas produtos e serviços, mas também as habilidades necessárias ao nosso sustento, o tipo de imagem que desejamos para nós, os métodos de convencimento de nossos possíveis empregadores, etc.
O cenário retratado pelo texto de Zygmunt Bauman é contemporâneo, expondo relevantes impactos introduzidos pela sua denominada “Modernidade Líquida”.
Essa sociedade moderna tem como ícones principais a produção e o consumo, não como meios, mas como finalidades a serem atingidas.
O individualismo (satisfação dos desejos pessoais) tem uma posição peculiar dentro do sistema em que se encontra inserido, qual seja, o do consumo desenfreado, não apenas como satisfação de seu querer, mas, também, para a construção de uma imagem social.

FONTE: Modernidade Líquida: análise sobre o consumismo e seus impactos na Sociedade da Informação [Christiany Pegorari Conte, Encarnacion Alfonso Lor e Fábio Antônio Martignoni – advogados e mestrandos em Direito da Sociedade de Informação pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas]
Íntegra disponível em:
http://www2.oabsp.org.br/asp/comissoes/sociedade_informacao/artigos/modernidade_liquida.pdf

28 fevereiro 2011

HOMO COMPLEXUS


O século XXI deverá abandonar a ideia unilateral que define o ser humano pela racionalidade (Homo sapiens), pela técnica (Homo faber), pelas atividades utilitárias (Homo economicus), pelas necessidades obrigatórias (Homo prosaicus). O ser humano é complexo e traz em si, de modo bipolarizado, caracteres antagonistas:
Sapiens e demens (sábio e louco)

faber e ludens (trabalhador e lúdico)

empiricus e imaginarius (empírico e imaginário)

economicus e consumans (econômico e consumista)

prosaicus e poeticus (prosaico e poético)

Somos seres infantis, neuróticos, delirantes e também racionais. Tudo isto constitui o estofo propriamente humano.
O ser humano é um ser racional e irracional, capaz de medida e desmedida; sujeito de afetividade intensa e instável. Sorri, ri, chora, mas sabe também conhecer com objetividade; é sério e calculista, mas também ansioso, angustiado, gozador, ébrio, extático; é um ser de violência e de ternura, de amor e de ódio; é um ser invadido pelo imaginário e pode reconhecer o real, que é consciente da morte, mas não pode crer nela; que secreta o mito e a magia, mas também a ciência e a filosofia; que é possuído pelos deuses e pela Ideias, mas que duvida dos deuses e critica as Ideias; nutre-se dos conhecimentos comprovados, mas também de ilusões e quimeras. E quando, na ruptura de controles racionais, culturais, materiais, há confusão entre o objetivo e o subjetivo, entre o real e o imaginário, quando há hegemonia de ilusões, excesso desencadeado, então o Homem demens submete o Homo sapiens e subordina a inteligência racional a serviço de seus monstros.

**** Em sua proposta, Morin coloca que a educação do futuro deveria mostrar e ilustrar este Destino multifacetado do humano: o destino da espécie humana, o destino individual, o destino social, o destino histórico, todos entrelaçados e inseparáveis. Isto conduziria à tomada de conhecimento, por conseguinte, de consciência, da condição comum a todos os humanos e da muito rica e necessária diversidade dos indivíduos, dos povos, das culturas, sobre nosso enraizamento como cidadãos da Terra...

OS SETE SABERES NECESSÁRIOS À EDUCAÇÃO DO FUTURO, de EDGAR MORIN, deveria ser um livrinho de cabeceira dos PEDAGOGOS, para ser lido cotidianamente e aplicar pelo menos parte do seu conteúdo a seus ensinamentos práticos. Bem melhor, mais isento e profundo este autor que certo padreco brasileiro cultuado/endeusado aí academicamente - que até me concedo o direito de nem aqui nominar.

19 janeiro 2011

A VELHICE

Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, mais conhecida como Simone de Beauvoir (1908 - 1986): escritora, filósofa existencialista e feminista francesa. Escreveu romances, monografias sobre filosofia, política, sociedade, ensaios, biografias e uma autobiografia.

Esta inteligente “dama francesa” conheci lá pelo meio da década de 70, via livros, quando revolucionava o mundo das ideias/pensamentos juntamente com seu companheiro SARTRE e seu “existencialismo”. Tirante o lado feminista desta senhora e o lado político-ideológico de ambos, “curti” muitas de suas obras literárias. Esta aqui abordada, A VELHICE, de 1970, é muito boa/lúcida – “recomendo a leitura e refletir”! Mesmo com todo o evoluir de legislações protetivas ao idoso, decorridos 30 anos deste seu escrever, ainda bem atual o por ela exposto.
Com este livro, Simone abriu nova brecha nas leis, usos e hábitos das sociedades ocidentais em favor de uma nova defesa da liberdade: "É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos."
Normalmente, evitamos falar da velhice não somente por causa da sua imagem ou do seu cheiro (há, inconfundivelmente, um cheiro que caracteriza a velhice e um cheiro que caracteriza a juventude), mas também porque a seu lado a morte nos sorri, mostrando que no combate que desde sempre travamos, ela triunfa. 

Como dizia Beauvoir, a América riscou do seu vocabulário a palavra ‘morte’, aí, a gente fala de um ente querido; do mesmo modo, é escusado dizer que ela fechou a página correspondente à velhice. Em França, o procedimento não é diferente, esta palavra é interdita. Aliás, pode-se dizer que por todos os lugares do Ocidente ela é silenciada.

Simone de Beauvoir em seu livro clássico sobre a velhice mostra, entre outras coisas, que o inconsciente não tem idade e que temos forte tendência a nos comportar, na velhice, como se jamais fôssemos velhos: aos 60 anos, raros são os que se consideram nessa condição e mesmo depois dos 80 anos há muitos que acreditam ser de meia-idade e uns tantos que continuam a se achar jovens.

"O indivíduo idoso sente-se velho através do outro, sem ter experimentado sérias mutações; interiormente não adere à etiqueta que se cola à ele: não sabe mais quem é".

Segundo ela, a sociedade de consumo trata os idosos como párias, condenando-os à miséria, à solidão e ao desespero. "Antes de tudo, exige-se deles a serenidade; afirma-se que possuem essa serenidade, o que autoriza o desinteresse por sua infelicidade", escreve Simone na introdução de seu ensaio. Assim como a feminilidade é socialmente construída, Beauvoir afirma que a velhice é acima de tudo um fator cultural.
Neste livro escreve ainda que o idoso é uma espécie de objeto incômodo, inútil, e quase tudo que se deseja é poder tratá-lo como quantia desprezível.

BELA LEI BRASILEIRA DE DIREITOS DOS IDOSOS, “NO PAPEL”:
“A família, a sociedade e o Estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à vida.” (Lei n.º 8.842/1994 – Política Nacional do Idoso).
Editora Nova Fronteira

17 janeiro 2011

SOCIEDADE DE RISCO



Publicado originalmente na Alemanha em 1986, Sociedade de Risco: rumo a uma outra modernidade, de Ulrich Beck, tornou-se uma espécie de clássico contemporâneo da sociologia. Traduzido por Sebastião Nascimento, chegou à "Terra Brasilis" somente no ano passado (2010), num lançamento da Editora 34. As teses de Beck, mesmo que escritas há mais de duas décadas, ainda conservam vigoroso poder de provocação. Segue atual a reflexão da “Sociedade de Risco”.

Beck (1944) é professor de Sociologia na Universidade de Munique, na London School of Economics and Political Science e doutor honoris causa por diversas universidades europeias. É editor do jornal Soziale Welt e da coleção Edition Zweite Moderne [Segunda Modernidade] da editora Suhrkamp, e diretor-fundador do centro de pesquisas "Reflexive Modernisierung" [Modernização Reflexiva], na Universidade de Munique. Estudou Sociologia, Filosofia, Psicologia e Ciência Política em Freiburg e Munique.

Nas abas da capa da edição brasileira do livro de Beck, Marco Aurélio Nogueira [Doutor em Ciência Política pela USP e Pós-doutorado pela Università degli Studi La Sapienza - Roma (ITA)] bem escreveu :

A primeira edição de Sociedade de risco foi publicada na Alemanha em 1986, logo após o acidente de Tchernobil: inesperadamente, uma usina nuclear construída para fins pacíficos e em regime de segurança máxima foi pelos ares naquela cidade ucraniana, espalhando caos e pavor pela Europa e suspendendo a respiração do planeta.
O livro de Ulrich Beck chega ao Brasil comprovando sua atualidade e o vigor de sua argumentação. Afinal, ele coincide com a reiteração de um circuito diabólico integrado por catástrofes, crises e tragédias que se sucedem em âmbito global, inquietam e intrigam. Se incluirmos no circuito a escalada da violência banal, do terrorismo e dos crimes hediondos, a sensação de mal-estar que impregna a vida cotidiana, o retorno de doenças que se acreditava controladas, o desemprego estrutural, a desorientação dos jovens em relação ao futuro e o desequilíbrio ecológico, entre tantas coisas, vemo-nos num cenário que exige explicações no mínimo audaciosas.
Seria esse cortejo de horrores e dificuldades a expressão de acidentes normais, de falhas sistêmicas passíveis de prevenção ou da “vingança” de uma natureza cansada de superexploração? Ainda que tais motivos possam ser plausíveis, não há como descartar a hipótese principal que emerge do presente livro: passamos a viver em meio aos efeitos colaterais de uma civilização — a modernidade capitalista industrial — que regurgitou e saiu dos trilhos, voltando-se contra si própria e escapando dos controles que visam ordená-la.
Mobilizando de modo consistente uma admirável rede de conhecimentos e informações, o livro de Beck converteu-se num clássico contemporâneo. Tornou-se obrigatório para quem deseja entrar em contato com a realidade do mundo atual sem cair na mesmice das denúncias ocas contra a globalização ou o neoliberalismo e sem repetir monotonamente os lugares-comuns das boas e velhas teorias clássicas.
Beck trabalha num espaço de transições. Admite que ainda não vivemos plenamente — em todas e em cada sociedade humana — numa civilização fundamentada no risco, mas também que já não estamos mais ancorados na sociedade industrial vinda do século XIX. Seguimos céleres rumo a uma outra modernidade: tardia, globalizada, radicalizada, reflexiva, que nos conecta numa mesma experiência mundial e, com isso, distribui e socializa todos os ônus e oportunidades. Nessa nova modernidade, “emerge um novo tipo de destino adscrito em função do perigo, do qual nenhum esforço permite escapar”. Os sistemas concebidos para proteger e racionalizar convertem-se em forças destrutivas. Ameaças vêm a reboque do consumo cotidiano, infiltradas na água, em alimentos, nas roupas, nos objetos domésticos. Tudo é processado reflexivamente, quer dizer, mediante discussão, elaboração, troca de informações, que voltam a turbinar o circuito. Trata-se de “uma civilização que ameaça a si mesma”, na qual a incessante produção de riqueza é acompanhada por uma igualmente incessante “produção social de riscos”.
Como então compreender a vida seguindo as mesmas pegadas de antes? Como explicá-la com os conceitos e categorias de sempre? Precisamos urgentemente de interpretações que “nos façam repensar a novidade que nos atropela e nos permita viver e atuar com ela”.
O convite feito por Ulrich Beck nesse livro luminoso e contagiante não se dirige aos que pensam que o mundo está acabando, mas aos que sabem que a vida segue, sempre. Sociedade de risco contém sugestões teóricas poderosas. Provoca-nos com achados inusitados. Impulsiona-nos a olhar além. Projeta-nos no olho do furacão.

Outros livros de Ulrich Beck em português :
O que é Globalização ? – Paz e Terra

Liberdade ou Capitalismo (Beck e Johannes Willms) - UNESP

01 dezembro 2010

SABEDORIA DOS IDIOTAS ("um pequeno-grande livro")


SABEDORIA DOS IDIOTAS é um livro de histórias Sufi com técnicas de ensino, do escritor IDRIES SHAH, publicado pela primeira vez pela Octagon Press em 1969.
Foi concebido para ter um impacto sobre o leitor tradicional com a “psicologia Sufi”. Muitas histórias são reminiscências de encontros com os antigos sufis, mas as experiências têm destaque especial mesmo na perspectiva de hoje.
As histórias, cuidadosamente selecionadas, contêm vários significados e funcionam como espelhos psicológicos, no qual o leitor pode ver a si mesmo e a realidade refletida, e assim entender-se melhor.

Download (de tradução para o português) em:
http://www.scribd.com/doc/6779970/Sabedoria-Dos-Idiotas2

IDRIES SHAH (Índia/1924–Inglaterra/1996) foi um autor/escritor e mestre da tradição Sufi que escreveu mais de trinta livros sobre diversos assuntos, desde psicologia e espiritualidade a diários de viagem e estudos culturais. Fundou uma editora, a Octagon Press, que publicou clássicos da tradição Sufi bem como vários de seus trabalhos. É muito conhecido por sua coleção de histórias de Mullá Nasrudin.

12 novembro 2010

I CHING - O LIVRO DAS MUTAÇÕES

[este o meu livrinho, consultado desde 1984]

Com pelo menos 3 mil anos de existência, o I CHING se baseia na idéia de mutação contínua, regida pela soma das forças cósmicas do YIN (a sombra) e do YANG (a luz).

Segundo historiadores antigos, como o chinês Sima Quien, que viveu uns 200 anos antes de Cristo, o I Ching teve 4 autores – e Fu Hsi foi apenas o primeiro deles. Confúcio (Kung Fu Tsé) seria o quarto autor do I Ching. Hoje, a maior parte dos estudiosos coloca em dúvida a existência de Fu Hsi. “Quando atribuem a ele a origem dos hexagramas, os chineses querem dizer, simplesmente, que os símbolos são mais antigos que toda a memória histórica”, escreve o sinólogo alemão Richard Wilhelm, no prefácio de sua tradução do I Ching, publicada na Europa em 1923. [referido como a melhor das traduções]
O significado dos trigramas era relativamente simples: cada um representava, ao mesmo tempo, uma característica da natureza (céu, terra, trovão, água, montanha, vento, fogo e lago) e um traço da psique (criatividade, abrigo, agitação, melancolia, constância, flexibilidade, iluminação, serenidade).
O livro caminhou junto com a história da China. Ajudou a criar religiões orientais, como o Taoísmo, foi a principal fonte de inspiração do pensador chinês Confúcio e serviu como elemento unificador do país durante o século 3 a. C.
Também deixou herança não apenas na matemática ocidental. “O I Ching está mais ligado ao inconsciente que à atitude racional da consciência”, escreveu em 1949 o psicanalista Carl G. Jung, que usava o livro em sessões de análise. Para o físico Niels Bohr, a obra está na raiz da física quântica, um dos principais pilares da ciência atual.

Lao Tsé, Leibniz, Einstein, Gandhi - outras “cabecitas” que consultavam este fascinante livrinho.

*** Eu o utilizo com sistema de varetas, usando um velho joguinho infantil colorido chamado pega-varetas. Mas muitos usam o sistema com 3 moedas.

04 julho 2010

JOSÉ INGENIEROS e O HOMEM MEDÍOCRE


Hoje aqui comentando desta excelente obra/autor que outrora me fez a cabecinha jovem e que hoje madurão/véinho reviso, constatando se manter ainda atual e procedente sua mensagem (apesar de publicada inicialmente em 1913).
A partir do próprio título – O HOMEM MEDÍOCRE – esta obra literária já pode nos causar certa rejeição, já que o termo medíocre em princípio não é bem visto/aceito por nós. Ser medíocre tem conotação de inferioridade e nunca almejamos algo assim para nós; muito embora sermos medíocres seja o mais comum, o mais provável.
Ingenieros bem coloca que somos fruto basicamente de dois fatores: a herança e a educação, “que estão atrás”. Mudar este contexto pressupõe “olharmos à frente”, saindo de nosso conforto e dos “ditos padrões”. Implica irmos contra a “maioria”, nadarmos de poncho contra a correnteza (diria o gaúcho) do estabelecido como certo/normal/padrão. Há um preço expressivo a ser pago neste propósito aqueles que se “atrevem” a percorrer esta senda. Pode-se até ir a extremo oposto, de julgarmo-nos superiores, diferenciados, privilegiados por contextos de sapiência ou simples erudição. Oportuno que mantenhamos coerência nesta caminhada intelectivo-existencial.

GIUSEPPE INGEGNERI (JOSÉ INGENIEROS) – 1877-1925 – foi farmacêutico, médico, psiquiatra, psicólogo, filósofo, criminalista, sociólogo, professor e escritor “ítalo-argentino”.
***Quanto à sua linha político-ideológica, “let it be – nobody is perfect”.

Suas obras completas constituem 24 tomos, publicados em Buenos Aires entre 1930-1940. Em língua portuguesa foram publicadas as seguintes obras:
- O Homem Medíocre (na Saraiva há 2 edições à venda, das Editoras Ícone e Chain)

- As Forças Morais

- A Simulação na luta pela vida

- Estudos sobre o amor

- O Medo de Amar

- A Imoralidade de amar e o renascimento do Amor

- A Metafísica do amor

- A Psicopatologia do sonho e na arte

- O Futuro da Filosofia

28 junho 2010

PRESENTÃO RECEBIDO

Recebi muito bom/belo presente de amiga de Araguari-MG:
livro A NATUREZA AINDA É BELA, de Frederico Ozanan.
O livro apresenta 230 fotografias de 15 estados, agrupadas por temas como:
água, montanhas, chapadas, litorais entre outros.
O trabalho foi feito a partir do acervo fotográfico do geógrafo,
clicados para compor relatórios e trabalhos universitários,
da época em que era estudante do curso de Geografia.

Para o geógrafo Frederico Ozanan, a idéia é levar educação ambiental através da arte.
[à venda nas Livrarias Siciliano]


14 maio 2010

BOAS-PRODUTIVAS LEITURAS

LUC FERRY, filósofo e ex-ministro da Educação da França, um dos principais defensores do “humanismo transcendental secular”, hoje com 59 anos, é autor de APRENDER A VIVER – Filosofia para os novos tempos (tradução de Vera Lucia dos Reis; Objetiva; 2007; 304 páginas), um livro de divulgação filosófica que discute, de forma acessível mas séria, autores como Nietzsche, Husserl e Heidegger. A filosofia, na visão de Ferry, é uma alternativa laica à religião: busca respostas para a angústia fundamental que todo ser humano tem ao tomar consciência de sua irremediável finitude. Aprender a Viver investiga as respostas que diferentes escolas filosóficas deram a esse problema, encerrando-se com a alternativa do próprio Ferry, sua proposta de um novo humanismo secular, que supere os becos sem saída construídos pela dúvida radical de pensadores como o alemão Friedrich Nietzsche.
Aprender a Viver é voltado especificamente para o leigo, e em particular para o leitor jovem. O título, com certo jeitão de auto-ajuda, tem um apelo inegável, que talvez responda por parte do sucesso da obra.
Graduado pela Universidade de Paris-IV e Universidade de Heidelberg,  Ferry preside atualmente o Conselho de Análises da Sociedade, órgão ligado à Presidência da França.
“LI, GOSTEI E RECOMENDO A LEITURA”!!!
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Agora lendo A SABEDORIA DOS MITOS GREGOS: Aprender a viver II (tradução de João Bastos; Objetiva; 2009; 310 páginas). Neste 2º volume da série aprender a viver, Luc Ferry conta e interpreta os mitos centrais da cultura grega. A abordagem instiga o leitor a examinar sua própria vida e suas crenças, para entender melhor seu lugar no cosmos e os desafios da vida humana.
Esta série já vendeu mais de 700.000 exemplares em todo o mundo, feito que transforma a filosofia em best-seller. Mas, claro, não os encontrarás na listagem dos mais vendidos “in Brazil”.


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