"QUANDO O MUNDO SE TORNAR CONFUSO, ME CONCENTRAREI EM FOTOGRAFIAS, QUANDO AS IMAGENS SE TORNAREM INADEQUADAS, ME CONTENTAREI COM O SILÊNCIO." [Ansel Adams / 1902-1984]

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11 janeiro 2011

Um filme "imperdível": O SEGREDO DOS SEUS OLHOS


FICHA TÉCNICA:
O SEGREDO DOS SEUS OLHOS [EL SECRETO DE SUS OJOS]
Argentina/Espanha - 2009
Duração – 127 minutos
Direção – Juan José Campanella
Roteiro – Juan José Campanella com base no livro La Pregunta de Sus Ojos, de Eduardo Sacheri
Produção – Juan José Campanella, Gerado Herrero, Mariela Besuievski., Vanessa Ragoni
Fotografia – Félix Monti
Trilha Sonora – Federico Jusid e Emilio Kauderer
Edição – Juan José Campanella
Elenco – Ricardo Darín (Benjamin Espósito), Soledad Villamil (Irene Menéndez Hastings), Guillermo Francella (Sandoval), Javier Godino (Isidoro Gómez), Carla Quevedo (Liliana Coloto), Pablo Rago (Ricardo Morales).

PREMIAÇÕES PRINCIPAIS (entre outras):
Foi o segundo filme argentino a conquistar o "Oscar de Melhor Filme Estrangeiro" (em 2010), 25 anos depois do feito de “A História Oficial”, de Luis Puenzo.

Ganhou ainda o prêmio Goya de Melhor Filme Estrangeiro em Espanhol e Melhor Revelação Feminina para Soledad Villamil. 
No Festival de Havana, ganhou: Prêmio Especial do Júri, Melhor Filme - Voto Popular, Melhor Diretor - Juan José Campanella, Melhor Ator - Ricardo Darín e Melhor Trilha Sonora.

ANÁLISE CRÍTICA:
Depois de passar uma temporada dirigindo episódios de séries famosas nos EUA (como “House” e “Lei e Ordem”), o diretor Juan José Campanella voltou à Argentina para produzir mais um excelente filme chamado “O Segredo de Seus Olhos”.
Novamente trabalhando com seu ator preferido, Ricardo Darín, Campanella adapta um romance de Eduardo Sacheri (La Pregunta de Sus Ojos) com sua habitual maestria, juntando no mesmo filme diversos tipos de gêneros do cinema, tais como suspense, drama, romance, policial, comédia, denúncia política (uma parte do filme se passa durante a ditadura militar argentina) e até uma pitada de film noir.

Darin interpreta com sua naturalidade e competência de sempre Benjamín Espósito, um funcionário público de Juizado Penal, recém-aposentado, que resolve escrever um livro tendo como premissa um caso escabroso que investigou no passado e que trouxe consequências trágicas para todos os envolvidos. Mas não é só isso. Em seu livro Espósito quer também expiar seu remorso por não ter tido coragem de lutar pelo amor de sua vida, interpretada por Soledad Villamil, que era sua supervisora no Fórum. Outro personagem importante é o parceiro de Espósito, Pablo Sandoval, na pele de Guillermo Francella, que serve como alívio cômico à trama. Por meio de flashbacks muito bem elaborados, vamos sendo apresentados ao crime e aos desdobramentos que ele provoca na vida dos envolvidos. É digna de nota a firmeza com que Campanella conduz a trama, sempre de forma inusitada e buscando o aprofundamento psicológico dos protagonistas à medida que eles vão sendo afetados pelos desenlaces do caso investigado.

O filme busca também fazer um estudo do que leva uma pessoa a ficar obcecada, em contraste com o vazio existencial enfrentado por Espósito e o que ambos sentimentos geram de consequências.
André Lux

Este não é um filme apenas sobre um crime: é sobre um homem que nunca soube lidar com as pessoas que a vida lhe ofereceu, passou a vida perguntando-se “como se faz para viver uma vida vazia, cheia de nada” e só entregou-se à ela no final.
[Fred Burle]

Existem filmes feitos para dar um “soco no estômago” do espectador. O Segredo dos Seus Olhos dá uma pancada no coração, com uma história instigante, um elenco excepcional, um roteiro espetacular e uma direção de fotografia que dá uma aula de decupagem e movimentação de câmera.
[Fred Burle]

“O Segredo dos Seus Olhos” é o tipo de filme que oferece um pacote de reflexões para o espectador consumir depois da sessão. Pode-se ler o filme sob variados ângulos: amizades, paixões, amores, medos, vazio, tempo, velhice, frustrações. Além da leitura política-jurídica.

**Lançado em 2009, El Secreto de Tus Ojos atingiu a marca de 1 milhão de telespectadores na Argentina após um mês de estreia.

P.S.: A "bela SOLEDAD" aí do filme também é boa cantora, com estes 2 CDs lançados.



10 janeiro 2011

STEINBECK E O HOMEM!


Quem não leu AS VINHAS DA IRA, RATOS E HOMENS, BOÊMIOS ERRANTES, A LESTE DO ÉDEN, A PÉROLA e (ou) outras obras deste grande escritor americano, Nobel de Literatura de 1962?
Ao longo de sua vida, Steinbeck utilizava as vezes ao lado de sua assinatura, em cartas ou em suas obras um pequeno desenho do “Pigasus”, um porco voador, para simbolizar a si mesmo, junto com a frase ad astra per alia porci, ou "para as estrelas, nas asas de um porco."
Algumas das suas razões para fazê-lo - "uma alma pesada, mas tentando voar" e "não é suficiente envergadura, mas muita intenção".
**Para outros, pode ter sido uma reação a um professor da faculdade que lhe disse que ele só seria um escritor quando os porcos voassem.

09 janeiro 2011

INTERNET NO "INTERIOL" (via rádio-manivela)

"LA LUNA" (de 9 de janeiro de 2011)





CORAÇÕES PALPITANTES (na virada de ano)



UMA AMIGA "QUASE FOTÓGRAFA"


Aqui uma bem jovem amiga paulista, que pretende fazer Publicidade e já fotografa como muita gente grande aí não faz. É fotógrafa nata!!! E fotografava em modo manual, não automático, com esta Canon aí.

Conheci-a nas comemorações deste Ano Novo, quando visitava amigos meus daqui, juntamente com seus pais.

Ah, incentivei-a muito a seguir neste rumo, apesar de que isto será definido de fato por ela.

ESCADA DE CORDAS?



BLUE FLORZITA

"REDE NEURONAL"

"ESTRELA" FLORAL

DAMA DA NOITE (CACTO-ORQUÍDEA) DE 2011






DAMA DA NOITE (CACTO-ORQUÍDEA)
Nome Técnico: Epiphyllum oxypetalum
Origem: América Central e Brasil.

Suas flores são grandes, mais de 20 cm e somente abrem à noite provavelmente porque os insetos que realizam a sua polinização são de hábito noturno.
O espetáculo destas flores abertas neste horário avançado é sempre muito esperado por quem as cultiva.
A origem do nome é grega e significa "sobre as folhas", pois suas flores surgem de ramos que parecem folhas. Raramente tem espinhos, mas possuem pelos nas aréolas.
Suas flores são grandes, vistosas e coloridas e seus ramos são achatados e suculentos, mas também podem se apresentar triangulares.
Em estado selvagem, na floresta, podem se desenvolver sobre árvores, mantendo as raízes no chão, quase como se fosse uma trepadeira.

P. S.: Esta aqui floresceu dia 4 de janeiro deste 2011, ali pelas 20,30 h.
Desde 2007, quando descobri esta belíssima/especial flor, amigos me comunicam quando de sua floração – “geralmente em uma única data noturna (anual)”. Pela manhã ela já está fechada e não mais se visualiza.

02 janeiro 2011

VEADITO (de 4 pernas)





Este foi meu bom agouro de 2011, 
capturado em seu primeiro dia,
em casa de campo de casal amigo,
onde passei o réveillon.
Este magnífico espécime veio conferir restos de comida
e me propiciou estes registros aqui.

A CARAPAÇA DA LAGOSTA (E AS NOSSAS)

                                                                  Imotion Imagens

     A lagosta vive tranquilamente no fundo do mar, protegida pela sua carapaça dura e resistente. Mas, dentro da carapaça, a lagosta continua a crescer. Ao final de um ano, sua casa fica pequena e ela tem de enfrentar um grande dilema: ou permanece dentro da carapaça e morre sufocada ou arrisca sair de lá, abandonando-a, até que seu organismo crie uma nova carapaça de proteção, de tamanho maior, que lhe servirá de couraça por mais um ano.
     Vagando no mar, sem a carapaça, a lagosta fica vulnerável aos muitos predadores que se alimentam dela. Mesmo assim, ela sempre prefere sair. Dentro da carapaça, que se transformou em prisão, ela não tem nenhuma chance. Fora, sim.
     Também nós, muitas vezes, ao longo da vida, ficamos prisioneiros de várias carapaças: os hábitos repetitivos, os condicionamentos alienantes, as situações às quais nos acomodamos. Uma grande quantidade de situações que, exauridas e desgastadas, nada mais tem para nos oferecer. E acabamos, por falta de coragem de mudar, nos acomodando ao tédio de uma vida monótona que, fatalmente, como a velha carapaça da lagosta, acabará por nos sufocar.
     Façamos como a lagosta: troquemos a velha e apertada carapaça por uma nova. Mesmo sabendo que, por algum tempo, estaremos desprotegidos ao enfrentar uma nova situação. Largar o velho e abraçar o novo é, muitas vezes, a única possibilidade de sobreviver por mais um ano. Até que cresçamos ainda mais e, novamente, tenhamos que mudar de carapaça.

TEXTO: Luis Pellegrini
Revista Planeta, Ed.459, Dez/2010

23 dezembro 2010

FINE ART ON LINE [para quem tem grana “mediana” para investir em arte fotográfica e não aposta/visualiza aqueles bons artistas que tem ao seu redor]


Depois do mais simples-modesto Foto na Parede
[http://www.fotonaparede.com.br/],
entra no ar o site FOTOSPOT.
[http://www.fotospot.com.br/]

O Fotospot oferece fotografias originais e exclusivas por preços que os organizadores consideram acessíveis - os valores variam entre R$ 425 e R$ 3 mil, impressas em inkjet sobre papel Fine Art de algodão de 310 gramas, com opção de moldura. As obras vêm numeradas e limitadas - entre 25 e 100 cópias, certificadas e assinadas pelos artistas.

A lista inicial do portfólio Fotospot conta com 27 nomes: André Andrade, Araquém Alcântara, Armando Prado, Arnaldo Pappalardo, Bob Wolfenson, Cássio Vasconcellos, Claudia Jaguaribe, Cristiano Mascaro, Dimitri Lee, Iatã Cannabrava, Jair Lanes, Klaus Mitteldorf, Leopoldo Plentz, Lívia Aquino, Lucas Lenci, Marcelo Brodsky, Miriam Homem de Mello, Pablo di Giulio, Roberto Linsker, Rogério Medeiros, Tiago Santana, Tuca Reinés, Tuca Vieira, Vania Toledo, Walter Firmo, Willy Biondani e Peter Scheier (parte do acervo histórico).

A compra é 100% online e o pagamento pode ser feito através de cartões de crédito (Visa e Mastercard) ou boleto bancário.

21 dezembro 2010

EQUILÍBRIO (da Pryscila)

PRYSCILA VIEIRA,
ilustradora-designer-cartunista, de Curitiba.
Excelente, confira!!!

 http://pryscila-freeakomics.blogspot.com/2010_12_01_archive.html

http://obrapryma.blogspot.com

17 dezembro 2010

15 dezembro 2010

DEPOIS DE PARTIR (um filmezito diferente, para curtição de cinéfilos)


Romain Duris é Nathan um francês que se tornou um rico e petulante advogado e que, por sua cobiça se divorciou da mulher e filha, tendo uma relação muito distante com elas. Num dado dia ele recebe a visita de um misterioso médico, o Dr. Kay (John Malkovich). Ele chega e traz a mensagem de que pode ver quem está prestes a morrer. Se pra bom entendedor meia palavra basta, Nathan a princípio incrédulo, começa a ceder e perceber que sua vida está por um fio.

Um dos grandes méritos dessa produção é saber transitar com uma naturalidade fantástica entre o drama e o suspense. Ao mesmo tempo em que o público fica emocionado com o turbilhão de emoções que os personagens atravessam, também fica o frio na espinha de se ou quando Nathan vai partir dessa pra melhor ou ainda se há mais pessoas que podem morrer ao atravessar seu caminho. As escolhas do protagonista e a dúvida entre se reaproximar da família para alcançar a paz interior ou de combater essa previsão impensável se tornam o grande fio da narrativa.

As subtramas envolvendo as dores dos coadjuvantes e o próprio mistério em torno de Kay faz todo sentido a medida que o filme caminha para seu terceiro e derradeiro ato que conta com uma reviravolta que mesmo previsível aos mais atentos, não deixa de ter um profundo impacto na percepção emocional do espectador.

Por mais esforços que o roteiro e os atores engendrem para um resultado tão belo, nada disso seria possível sem a brilhante trilha sonora do premiado Alexandre Desplat de “O Curioso Caso de Benjamin Button” que mescla gêneros e sentimentos com primazia e a fotografia dos irmãos Bing que dominam o uso da luz correta para cada ambiente. 

Num final tão subjetivo quanto tocante, “Afterwards” é, sem dúvida, um filme diferenciado onde os apreciadores do verdadeiro cinema vão aproveitar cada minuto.

FONTE: http://www.cinecriticas.com.br/?p=2280
           [Aldo Alves]

Ficha Técnica:
Depois de Partir (”Afterwards” - "Et Après") Canadá / Alemanha / França, 2008

Elenco:
John Malkovich
Evangeline Lilly
Romain Duris
Pascale Bussières
Reece Daniel Thompson
Sara Waisglass

Direção: Gilles Bourdos

Produção: Olivier Delbosc, Christian Larouche e Marc Missonnier

Fotografia: Mark Lee Ping-bing e Lee Pin-bing

Trilha Sonora: Alexandre Desplat

Duração: 107 min.

14 dezembro 2010

MAR ADENTRO, "um grande filme sobre Eutanásia"










Mergulhado em pesquisas do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Direito, com tema “Eutanásia, Ortotanásia e Distanásia – uma nova visão”, estive vendo este “excelente filme” aqui comentado.
MAR ADENTRO
Direção: Alejandro Amenábar
Espanha - 2004

Elogios ao filme MAR ADENTRO, dirigido por Alejandro Amenábar, não são exagerados. A obra recebeu 14 prêmios Goya, dois prêmios no European Film Awards, um Grande Prêmio do Júri e um Volpi Cup de melhor ator para Javier Bardem, que interpreta o protagonista. E a lista de premiações não acaba aí, recebeu um Oscar, um Globo de Ouro e um Independet Spirit Award, todos os três na categoria de melhor filme estrangeiro.
A história deste filme convida o espectador a uma longa reflexão. Amenábar poderia ter descambado para o dramalhão sentimental, mas conseguiu realizar um filme surpreendentemente tocante sobre um tema polêmico. Um filme triste e muito bonito.
Mar Adentro conta a história verídica de Ramón Sampedro (interpretado magnificamente por Javier Bardem),um espanhol que ficou tetraplégico após um mergulho aos 25 anos, e viveu 29 anos após o acidente sendo cuidado por seus familiares e lutando pelo direito de “morrer dignamente”, como ele mesmo dizia. Seu caso foi levado aos tribunais em 1993 para conseguir a legalidade da eutanásia, mas o pedido foi negado. Na “carta de Sampedro” destinada aos juízes, em 13 de novembro de 1996, desdobra-se uma idéia que aparece repetidas vezes no filme: “viver é um direito, não uma obrigação”. Assim, Ramón coloca em cheque a regulação da vida e da morte pelo Estado e pela Igreja e acusa “a hipocrisia do Estado laico diante da moral religiosa”.
O debate com a igreja sobre eutanásia aparece no filme na figura de um padre, também tetraplégico, que resolve visitar Sampedro. Como a escada para o segundo andar, aonde se encontra o protagonista, é muito estreita, e não permite que passe a cadeira de rodas do padre, os dois comunicam-se via um seminarista, que corre de um lado a outro dando recados com uma expressão tensa, ansiosa e confusa, como se estivesse prestes a submergir numa profunda crise existencial e religiosa. Até que o padre e Sampedro passam a conversar aos berros e sem mediação, de um lado falando-se da importância de manter a vida, de outro, denunciando-se que a Igreja Católica não tem moral para falar de respeito à vida depois da Inquisição.
O personagem de oposição direta ao padre é a advogada Julia, que quer cuidar do caso de Sampedro. Se por um lado o padre, pelo seu estado físico e representando a Igreja, parece ter legitimidade para tentar dissuadir o protagonista da idéia de eutanásia, a advogada Júlia, portadora de uma doença degenerativa hereditária (Cadasil), que se caracteriza por acidentes vasculares recorrentes que conduzem à invalidez e demência, procura trazer a discussão e a legitimação do caso para o plano racional, individual e não dogmático. Ao mesmo tempo, Júlia também é o canal entre o espectador e as poesias, as viagens e toda a vida de Sampedro antes do acidente. Juntos escrevem um livro, partilham um cigarro, trocam um beijo, afeto, impossibilidades, desejos, frustrações e a morte como finalidade.
É nesses percursos que Mar Adentro consegue trazer à tona os vários nós da questão. Momentos tensos, de debate, momentos de ternura e da impossibilidade do contato físico, a dor da família de Sampedro, mas também a do protagonista. Quando em 1998, Ramón consegue encontrar, na figura da personagem Rosa, “alguém que realmente o ame e o ajude a morrer”, ele deixa um testamento concluindo o argumento da vida como obrigação, e aliando a ela um debate que sinaliza as tensões e as questões de poder que permeiam a vida e a morte: “Srs. jueces, negar la propiedad privada de nuestro propio ser es la más grande de las mentiras culturales. Para una cultura que sacraliza la propiedad privada de las cosas – entre ellas la tierra y el agua – es una aberración negar la propiedad más privada de todas, nuestra Patria y Reino personal. Nuestro cuerpo, vida y conciencia. Nuestro Universo".
A questão da eutanásia destacou-se não apenas pelo sucesso de Mar Adentro e do filme norte-americano Menina de Ouro (que trata do mesmo tema), mas também porque, enquanto os dois concorriam ao Oscar, se desenrolava o caso da norte-americana Terri Schiavo, que morreu após decisão judicial para que fosse suspensa a alimentação artificial que a mantinha viva há 15 anos. A ampla discussão que se deu desde então deixou claro que, com exceção de países como Holanda e Bélgica, que aprovaram leis de eutanásia, esta é praticada de forma ilegal, mas recorrente, em vários hospitais do mundo. No auge da repercussão do caso levou o já convalescente papa João Paulo II, que sofria de uma doença degenerativa incurável, a divulgar uma comunicação para mobilizar a opinião pública contra a eutanásia.
No início de 2005, Ramona Maniero confessou ter ajudado Sampedro a tomar cianureto para morrer, com ajuda de 12 pessoas de uma associação pró-eutanásia (Associação Direito a Morrer Dignamente (DMD), de Barcelona). Ramona admitiu ante as câmeras do canal Telecinco que havia sido a última da cadeia.   A confissão veio depois de sete anos do ocorrido, quando o delito já estava prescrito e ela não poderia mais ser julgada. Ramona era considerada a principal suspeita da morte de Sampedro e chegou a ser presa, mas foi solta por falta de provas. Ramon Sampedro morreu em 12 de janeiro de 1998.

Difícil dizer se ele estava certo, pois não dá para imaginar, de nenhuma forma, o que é passar 28 anos preso a uma cama, sem poder se mexer, completamente dependente de outras pessoas, e tendo a cabeça totalmente lúcida. Porém, se do lado de Rámon estava um homem que se julgava condenado a viver todos os seus dias deitado em uma cama, do outro fica a família que o ama, os amigos que o admiram, pessoas que não desejam que ele "parta" para outra vida, e que sofrem horrores com sua escolha.
Mais do que uma defesa à eutanásia, porém, Mar Adentro se apega no direito que cada pessoa tem de ser livre, e fazer o que quiser com sua própria vida, para demonstrar que Sampedro se apoiava no pensamento de que viver era um direito, não uma obrigação. E ele queria renegar esse direito, devido às suas condições.

              [compilação de textos de Marta Kanashiro e Marcelo Costa]


Ramón escreveu este livro aqui abaixo, “Cartas Desde El Infierno” e também outro: “Cuando Yo Caiga”.


Biografias Planeta – Editora Planeta
Cartas do Inferno, de Ramón Sampedro
Páginas: 280 páginas
Publicação: Maio 2005
Preço: R$ 39.90
  

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